John-Henry Westen
Roma 13 de julho de 2009 (Notícias Pró-Família) — “Retratações: O Santo Ofício Ensina Lição a Fisichella”: é assim que Sandro Magister de Chiesa, jornalista especialista de longa data do Vaticano, caracterizou um artigo publicado na sexta-feira no jornal do Vaticano L’Osservatore Romano escrito pela Congregação da Doutrina da Fé (CDF. Veja a cobertura aqui).
Um artigo de 15 de março escrito pelo presidente da Pontifícia Academia da Vida, o Arcebispo Salvatore (Rino) Fisichella, gerou um grande protesto de líderes pró-vida internacionais que disseram que o texto denegriu a reputação de José Cardoso Sobrinho, arcebispo fortemente pró-vida de Olinda e Recife, e também deixou muitos crendo que a Igreja havia enfraquecido seu ensino contra o aborto.
O esclarecimento, além de reafirmar a posição da Igreja sobre o aborto — inclusive o ensino de que aqueles que estão diretamente envolvidos num aborto são automaticamente excomungados — também inocentou o Arcebispo Cardoso de qualquer mal. O artigo de Fisichella, intitulado “Do Outro Lado da Menina Brasileira”, criticou Cardoso por anunciar que os aborteiros incorreriam em excomunhão automática no difícil caso de uma menina de 9 anos vítima de estupro que se descobriu que estava grávida de gêmeos. Fisichella não entrou em contato com o Arcebispo Sobrinho para verificar os fatos do caso antes de criticá-lo nas páginas do jornal do Vaticano.
Fisichella escreveu: “Antes de pensar em excomunhão, era necessário e urgente proteger esta vida inocente e trazer um nível de humanidade da qual nós homens da Igreja deveríamos ser como pregadores e mestres experientes. Que isso não foi feito, infelizmente afetou a credibilidade de nosso ensino”.
O esclarecimento da CDF diz o oposto, observando que a menina “havia sido acompanhada com toda a delicadeza pastoral, em particular pelo arcebispo de Olinda e Recife na época, Sua Excelência o Arcebispo José Cardoso Sobrinho”.
A medida é especialmente importante em vista do fato de que o Arcebispo Fisichella havia rejeitado um pedido de 27 dos 46 membros da Pontifícia Academia da Vida (da qual ele é o presidente) para corrigir seu artigo de 15 de março.
As recusas iniciais para corrigir o artigo foram devastadoras para o movimento pró-vida mundial. A imprensa secular e os grupos pró-aborto de pressão política prontamente responderam ao artigo, com manchetes e centenas de artigos e editoriais afirmando que Fisichella estava dando a entender que a Igreja estava suavizando sua posição sobre o aborto. A Associated Press anunciou: “Prelado do Vaticano defende aborto para menina de 9 anos”. O Washington Post disse: “Autoridade do Vaticano Defende Aborto para Menina”.
O que é mais grave é que o artigo de Fisichella foi muito elogiado por Frances Kissling, a ex-presidente de Católicas pelo Direito de Decidir, um grupo pró-aborto de pressão política que se apresenta como católico e tenta pressionar a Igreja Católica a abandonar seus ensinos de vida e família.
Num artigo amplamente publicado, Kissling chamou o artigo de Fisichella de “uma mudança estupenda na estratégia do Vaticano de não permitir nenhuma dissidência de sua posição de que jamais se permite o aborto direto”. Ela disse que foi um “desvio pequeno” que “abre a porta para os católicos que seguem os ensinos católicos sobre reprodução debaterem a possibilidade de que há alguns casos oficialmente reconhecidos em que indivíduos podem escolher o aborto e ter uma consciência tranqüila”.
O esclarecimento é uma compilação impressionante da maioria das declarações mais fortes da Igreja em defesa da vida. Passa pelos ensinos da Bíblia, da Igreja primitiva, dos Concílios e dos Papas, reafirmando constantemente que o aborto é absolutamente proibido e um “crime abominável”.
Judie Brown, um dos membros da Pontifícia Academia da Vida, disse para LifeSiteNews.com que ela estava muito contente com o esclarecimento da CDF. Brown, que também é presidente da Liga Americana da Vida, comentou que o Vaticano examinou cuidadosamente as conseqüências do que o arcebispo havia dito, e o efeito que teve nos fiéis e assim decidiu disponibilizar o esclarecimento, fortemente reafirmando o ensino da Igreja acerca do mal do aborto.
Brown comparou o assunto com o problema da contínua saga no Canadá onde a Conferência dos Bispos Canadenses está negando estar financiando grupos pró-aborto em países em desenvolvimento por meio de sua agência de desenvolvimento, apesar de claras evidências demonstrando o contrário. Ela sugeriu que se o próprio Vaticano pudesse reexaminar uma situação e dar um esclarecimento, os bispos canadenses também poderiam agir de forma semelhante.
John Smeaton, presidente do maior grupo pró-vida da Inglaterra — a Sociedade para a Proteção das Crianças em Gestação (sigla em inglês: SPUC) — foi uma das principais vozes pró-vida na controvérsia entre Fisichella e Sobrinho. Smeaton diz que vê no esclarecimento da CDF uma grande vitória e expressou congratulações para todos os que estiveram envolvidos, inclusive LSN.
“LifeSite e muitos outros grandes grupos e figuras de liderança dentro da Igreja levantaram profundas preocupações sobre as questões tocadas no artigo original do Arcebispo Fisichella”, disse Smeaton numa entrevista telefônica da Inglaterra. “Sinto que eles precisam ser congratulados por sua coragem e sua lealdade aos fatos difíceis do assunto. E, aliás, a caridade deles está levantando esse assunto para o bem da Igreja, para a proteção da reputação de um pastor magnífico — o Arcebispo Cardoso e no final pela proteção da família no centro desse episódio trágico”.
O líder pró-vida mais próximo da ação no caso foi monsenhor Ignácio Barreiro, de Human Life International. Falando com LSN do escritório de Roma de HLI, ele descreveu o esclarecimento da CDF como uma vitória enviada pelo céu, e agradeceu de forma especial LSN por sua cobertura sobre a questão.
“O documento de esclarecimento publicado pela CDF, como se declara no próprio documento, é o resultado dos esforços de muitos líderes pró-vida mundiais que expressaram suas preocupações acerca do artigo escrito pelo Arcebispo Fisichella”, disse ele. “Uma das instituições que contribuiu para a publicação desse novo documento foi LifeSite”.
“Só Deus sabe o que contribuiu mais, mas é o esforço conjunto de muitas pessoas e não há dúvida de que toda a publicidade que vocês deram a esse triste caso contribuiu para esse documento”.
Mas o movimento pró-vida tem uma Pessoa a quem agradecer mais do que todas as outras por esse resultado, sugeriu Barreiro. “Somos gratos ao Senhor por esse resultado”, disse ele. “Vocês vêem o selo de aprovação do Senhor quando algo acontece”, acrescentando rapidamente, “às vezes você só saberá no céu”.
Traduzido por Julio Severo: www.juliosevero.com
Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesitenews.com/ldn/2009/jul/09071410.html
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