John-Henry Westen
RECIFE, Brasil, 1 de julho de 2009 (Notícias Pró-Família) — Nesta manhã, o Vaticano anunciou que o Papa Bento 16 aceitou a resignação do Arcebispo José Cardoso Sobrinho, o arcebispo metropolitano de Olinda e Recife. O papa nomeou o Bispo Fernando Antonio Saburido como seu sucessor. Ativistas pró-vida do mundo inteiro conhecem bem o Arcebispo Cardoso por sua defesa heróica dos bebês em gestação, apesar das críticas que ele recebeu até mesmo do Arcebispo Salvatore (Rino) Fisichella, presidente da Pontifícia Academia pela Vida.
A aceitação de sua resignação neste momento suscitou muitas perguntas; porém, não há evidências indicando que foi feita como medida de punição. O anúncio do Vaticano meramente declara que “o Santo Padre aceitou a resignação do arcebispo da assistência pastoral da mesma arquidiocese, ao alcançar a idade limite”. Os bispos são obrigados a submeter uma carta de resignação ao papa quando completam 75 anos, mas a aceitação da resignação fica a critério do papa. O Arcebispo Cardoso fez 76 anos ontem.
Por sua ardente defesa das vidas dos gêmeos em gestação, o Arcebispo Cardoso foi difamado nos meios de comunicação desde fevereiro deste ano. Os meios de comunicação atacaram o arcebispo devido a suas ações no caso difícil de uma menina de nove anos que foi estuprada por seu padrasto e estava grávida de gêmeos.
O padre envolvido e o próprio Arcebispo Cardoso fizeram tudo o que podiam para trabalhar com a família e a menina para ajudá-los em suas necessidades e também para salvar as vidas dos gêmeos que ela estava levando. Um grupo internacional de lobby de aborto estava pressionando a família a aprovar o aborto para a menina, evidentemente vendo o caso como uma oportunidade de ouro para pressionar em favor da legalização do aborto no Brasil. Como esforço desesperado para salvar a vida dos gêmeos em gestação, depois que a menina foi transferida por ativistas pró-aborto para um local desconhecido, o arcebispo anunciou que aqueles que estavam envolvidos na realização do aborto sofreriam excomunhão automática.
Os meios de comunicação anti-vida internacionais criticaram o anúncio, retratando o arcebispo como insensível e cruel. De início, o arcebispo foi defendido por seus colegas bispos localmente e também pelo Prefeito da Congregação dos Bispos do Vaticano, o Cardeal Battista Re.
Contudo, os implacáveis ataques e deturpações dos meios de comunicação, aliados às denúncias públicas de líderes políticos, inclusive o ministro da saúde do Brasil e do presidente, começaram a afetar até mesmo seus irmãos bispos.
A rejeição mais devastadora às ações do Arcebispo Cardoso veio do presidente da Pontifícia Academia pela Vida nas páginas do jornal do Vaticano, L’Osservatore Romano. Sem jamais ter consultado seu irmão arcebispo do Brasil, o Arcebispo Fisichella lançou o que foi visto como um ataque forte ao Arcebispo Cardoso.
O artigo de Fisichella no jornal do Vaticano implicava que o Arcebispo Cardoso não vinha cuidando o suficiente da vítima de estupro, que ele havia “precipitadamente” anunciado a excomunhão e defendeu os aborteiros da excomunhão. Vieram então críticas de outros bispos ao redor do mundo, logo apoiadas por dois bispos franceses e um cardeal canadense.
Quando o Arcebispo Cardoso pediu permissão para se defender nas páginas do jornal do Vaticano, e corrigir os erros fatuais presentes no artigo de Fisichella, seu pedido foi rejeitado.
O movimento pró-vida do mundo todo acompanhou o caso bem de perto, tornando o Arcebispo Cardoso, principalmente devido a essa perseguição, muito querido do movimento pró-vida. Human Life International transformou esses sentimentos em realidade em abril quando apresentou ao Arcebispo Cardoso um prêmio prestigioso reconhecendo sua valente defesa da vida.
O prêmio foi apresentado pelo monsenhor Ignacio Barreiro-Carámbula, JD, STD, diretor do escritório de HLI em Roma. LifeSiteNews.com falou com monsenhor Barreiro sobre sua reação à resignação do Arcebispo Cardoso.
“É lamentável que sua resignação tenha sido aceita sem um esclarecimento oficial que o defenda das injustas acusações dirigidas contra ele pelo Arcebispo Fisichella em seu artigo de 15 de março”, disse monsenhor Barreiro. “Apesar de tudo, seria um ato de justiça, mesmo depois da aposentadoria do Arcebispo Cardoso, que esses esclarecimentos fossem publicados por dois motivos”.
Primeiro, “Para esclarecer as confusões criadas pelo Arcebispo Fisichella com relação a casos extremos. Esse esclarecimento tem de deixar claro que não se permite o aborto sob circunstância alguma”. E, segundo: “Um esclarecimento salientaria que o Arcebispo Cardoso e sua arquidiocese pagaram a melhor assistência pastoral para a menina que acabou sofrendo o aborto.
Traduzido por Julio Severo: www.juliosevero.com
Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesitenews.com/ldn/2009/jul/09070106.html
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