Papa merece forte defesa, mas os problemas da Igreja Católica estão ainda longe de ser resolvidos

Editorial de Steve Jalsevac

1 de abril de 2010 (Notícias Pró-Família) — A atual tempestade dos meios de comunicação por causa dos escândalos de abuso sexual da Igreja Católica é um tema que LifeSiteNews (LSN) já tratou no passado. Já lidamos com isso antes — em 2002, quando estourou a tempestade de escândalos do clero americano. LifeSiteNews cobriu extensivamente essa saga nos anos seguintes. E precisamos cobrir a progressão atual também — por razões muito boas: pela causa da vida e da família. Para quem está conhecendo agora LSN, veja essas razões explicadas na página “Why is LifeSite Covering This Issue?” de 2002.

Desta vez, porém, o perigo é maior. Tornou-se mais internacional e ameaçador, colocando em perigo até mesmo o Papa Bento, que fez o máximo em anos recentes para eliminar o que na Sexta-Feira Santa de 2005 ele chamou de “a sujeira” da Igreja e também da sociedade moderna. Claramente, esse é uma razão importante de ele ser tal alvo.

Não é coincidência, em minha opinião, que isso esteja também acontecendo enquanto a Casa Branca encontra-se ocupada pelo presidente americano mais agressivamente anti-vida e anticristão da história. É também importante notar que Barack Obama cooptou muitos influentes católicos dissidentes, e alguns de seus principais escudeiros são “católicos” furiosamente anti-católicos, tais como Nancy Pelosi e Kathleen Sibelius.

Não é coincidência também que essa progressão esteja ocorrendo justamente quando a máquina da União Europeia — que é agressivamente anticristã — finalmente consolidou seu poder político sobre a Europa.

Tem havido uma saturação dos meios de comunicação internacionais, com notícias focalizando o papa desde que o jornal New York Times publicou seu artigo de grande sucesso, crivado de erros, contra a suposta negligência pessoal do Papa Bento com relação a dois casos de abuso do clero. Alguns dos artigos que seguiram estão entre os mais tendenciosos, irresponsáveis e odiosos para com a Igreja que já vimos desde que LSN começou.

Deal Hudson de InsideCatholic.com perguntou para Bill Donohue da Liga Católica: “Por que os meios de comunicação como os jornais New York Times e Washington Post odeiam a Igreja Católica e o papa? Qual é a fonte da hostilidade?”

Donohue respondeu: “Esse problema é causado por três questões: aborto, casamento gay e ordenação de mulheres. Por isso, quando conseguem expor a Igreja na questão da promiscuidade, eles adoram isso. A meta é enfraquecer a autoridade moral da Igreja de modo que ela não seja tão persuasiva em questões como saúde pública”.

Várias de nossas notícias deixaram claro que o Papa Bento tem sido vítima de acusações injustas e que quase todas as novas revelações são sobre incidentes que ocorreram décadas atrás, durante o mesmo período que era o foco da explosão de abuso sexual do clero americano em 2002 — a década de 1960 e o começo da década de 1980. O índice de incidentes de abuso do clero vem de forma contínua e dramática diminuindo desde que João Paulo II se tornou papa em outubro de 1978.

Contudo, temos também de noticiar que as evidências revelam que a liderança da Igreja tem de muitas formas provocado esta catástrofe atual sobre si mesma. A menos que rapidamente faça mudanças cruciais ainda exigidas, não há dúvida de que haverá prestação de contas — se não for nesta época, então nos anos não muito a frente.

Embora tenha havido muitas mudanças positivas na Igreja nos EUA e no Canadá e nas políticas do Vaticano desde as revelações horrendas de 2002, LSN vem continuamente avisando que os problemas fundamentais que levaram aos abusos e a conseqüente debilitação da Igreja Católica estão ainda muito longe de serem totalmente resolvidos.

Três questões são ainda de grande preocupação:

1. A indisposição esmagadora da maioria dos bispos de exercer sua autoridade em resposta à séria rejeição ou indiferença para com as questões de cruciais doutrinas e normas católicas — principalmente com relação a questões morais. Isto é, os bispos não estão de forma vigorosa sustentando a fé com conseqüentes danos graves resultando para a fé e vida de muitas pessoas.

2. O escândalo público de bispos criminalmente negligentes ou envolvidos em outras negligências sérias ou corruptos ainda não tendo sido de forma adequada pessoalmente responsabilizados. Em vez disso, quem está pagando a conta são as empresas de seguro e as pessoas dos bancos das igrejas e grandes doadores do passado, que não tinham nada a ver com os escândalos, cujas contribuições foram tomadas injustamente para pagar parte dos bilhões de dólares para os acordos e imorais honorários advocatícios. Às vítimas dos abusos foi negada a justiça.

3. A indisposição ainda permanente de enfrentar ou até mesmo mencionar a corrupção causada pela tolerância ao homossexualismo dentro do clero em todos os níveis, inclusive bispos e cardeais, dentro das ordens religiosas e dentro das instituições, faculdades e escolas da Igreja Católica. Tem havido muitas melhorias nessa área, principalmente graças à forte reafirmação que o Papa Bento fez da norma de que os homossexuais não devem ser recebidos nos seminários; mas ainda há muito mais que precisa ser feito para livrar a Igreja dessa influência generalizada e cancerígena dentro do corpo da Igreja.

Veja o Relatório Especial de LSN de junho de 2002, “Roots of Sexual Abuse in the Church: Homosexuality, Dissent and Modernism” (Raízes do Abuso Sexual na Igreja: Homossexualidade, Discórdia e Modernismo), que revela o motivo por que quase foi inevitável que mais explosões acabassem ocorrendo.

Um artigo de 25 de março na revista National Post escrito pelo Pe. Raymond de Souza, “Culture change in the Church” (Mudança cultural na Igreja) merece atenção especial por causa de sua análise inteligente do motivo por que muitas autoridades da Igreja Católica têm a si mesmas para se culpar por muito do que aconteceu.

Souza é o escritor que tem mais se destacado na honestidade e discernimento de seus relatórios sobre essa questão. Recomendamos fortemente que o artigo dele seja totalmente lido. Contudo, eis alguns exemplos:

“Na década de 1960, como a maior parte da sociedade e depois do Concílio do Vaticano II, a Igreja simplesmente abandonou sua vida de disciplina. A discórdia doutrinária não era corrigida, mas muitas vezes celebrada. Abusos litúrgicos, tanto menores quanto descaradamente sacrílegos, eram tolerados… Um padre podia pregar heresia, profanar a Santa Missa, destruir a piedade de seu povo sem enfrentar conseqüências. Os que tinham a responsabilidade de fazer supervisão decidiram fazer vista grossa a tudo. É de surpreender, então, que quando acusações de imoralidade criminal surgiram elas também foram tratadas de forma inadequada, se é que chegaram a ser tratadas?”

O padre jornalista católico diz mais: “Uma cultura de frouxidão havia infectado de tal forma os bispos que seus músculos de disciplina haviam se atrofiado gravemente. Não era como se eles fossem administradores vigilantes em todos os aspectos, mas perversamente complacentes para com o abuso sexual. Mostraram complacência para com abusos de todos os tipos. A cultura clerical havia se tornado tão tolerante que até mesmo modestas tentativas de aplicar disciplina doutrinária eram amplamente zombadas…”

Souza conclui: “A abdicação da disciplina na Igreja teve um custo terrível. Mas aos poucos estamos nos tornando mais católicos e restaurando os anos que o gafanhoto comeu”.

E eu concordaria com Souza que a Igreja melhorou, em muitos casos de forma considerável. Muitos, mas não todos, seminários da América do Norte foram completamente transformados e pelo menos nos anos recentes essas instituições ordenaram jovens padres totalmente checados, bem formados e santos que por sua vez renovarão a Igreja nos anos à frente.

No entanto, numerosas situações que LSN encontrou em anos recentes — tais como o do padre de Quebec que era um prostituto gay pró-aborto e que ainda ocupa uma posição de destaque na sua diocese, e muitos outros escândalos não resolvidos da Igreja dos EUA, Canadá e a maior parte dos países europeus — indicam que a Igreja tem ainda um longo caminho a trilhar para ser restaurada ao que deveria ser.

Bem reveladores têm sido os escândalos de CCHD, oo funeral do senador “católico” Ted Kennedy, da organização católica canadense Development and Peace e do caso de Recife, entre outros. Negações, ataques e menosprezos aos mensageiros dos problemas, e bispos que se recusam a reconhecer publicamente e tomar atitudes contra essas questões graves é ainda uma resposta comum da Igreja.

Igualmente significativo tem sido a falta de decisão dos integrantes da secretária de filmes da Conferência dos Bispos dos EUA ao louvar filmes pró-homossexualismo como Brokeback Mountain e a indisposição de uma grande maioria de bispos de aderir à lei canônica e recusar comunhão para católicos americanos notoriamente pró-aborto e pró-homossexualismo que não se arrependeram, tais como Nancy Pelosi e Kathleen Sibelius, no Canadá o governador de Ontário Dalton McGuinty e na Inglaterra o ex-primeiro ministro Tony Blair. A lei canônica era também regularmente ignorada durante as décadas da eclosão do abuso sexual.

Todas essas coisas e muito, muito mais, revelam que a própria “cultura de frouxidão” que incentivou os abusos sexuais está ainda arraigada no meio de uma grande proporção dos bispos do Ocidente — embora, felizmente, isso esteja mudando.

As lições de 2002 parecem não ter sido absorvidas ainda. No entanto, um número pequeno e crescente de uma geração de bispos novos e heróicos está emergindo. Eles estão agindo e falando de uma maneira que se deve esperar dos bispos — sem o medo debilitador da opinião pública, advogados, empresas de seguro, a fúria de dissidentes em suas dioceses ou a intimidação de seus irmãos bispos. Em vez disso eles temem a prestação de contas que terão de dar a Deus — a única coisa que realmente importa no fim.

Esses novos e fiéis bispos são bem menos inclinados a desdenhar ou de algum modo dar de ombros aos fiéis católicos que estão sofrendo e que trazem preocupações genuinamente sérias à atenção deles. De modo oposto, a resposta negativa aos católicos que atrapalham a cultura de “não me perturbe”, “seja sempre positivo” e o implícito “evite a cruz” exigida pela geração de bispos da era dos escândalos, é ainda bem com comum, pelo que se noticia.

A maior parte da progressão que ocorreu em anos recentes se deve à iniciação deles à publicidade dos meios de comunicação de massa, acusações criminais e processos — não aos bispos por vontade própria indo contra a ordem estabelecida e decidindo que já bastava. Em outras palavras, os bispos foram finalmente forçados a agir. Temos de ser gratos pelo que a mídia colocou para fora em público em 2002. E agora, a evidência na Irlanda, Áustria, Alemanha, Suíça e outras nações, assim como na América do Norte, é que muito mais ainda precisa acontecer.

Por isso, embora necessárias ações defensivas devam continuar contra acusações falsas e lobos oportunistas tentando usar essa crise para derrubar o principal defensor da moralidade tradicional e convicção religiosa, o fato ainda permanece que a purificação da Igreja Católica, pela Igreja, tem também de continuar — com urgência.

O movimento pró-vida e pró-família do mundo, crentes de todas as religiões e outros que valorizam os princípios tradicionais, todos precisam que a Igreja Católica seja o que foi chamada para ser. Sem isso, a Cultura da Morte, o declínio das liberdades e o sofrimento dos vulneráveis se expandirão exponencialmente.

Os radicais engenheiros sociais, os fanáticos do controle populacional e as elites totalitárias estão pressionando intensamente agora para que isso aconteça. Temos de questionar se eles tiveram algum envolvimento no plantio da corrupção dentro da Igreja que começou perto do fim da Guerra Fria. Eles precisam da Igreja Católica fora do caminho mais do que qualquer outra coisa. Não podemos deixá-los fazer isso.

Traduzido por Julio Severo: www.juliosevero.com

Fonte: http://noticiasprofamilia.blogspot.com

Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesitenews.com/ldn/2010/apr/10040105.html

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