Bispo católico do México dirige duas organizações pró-aborto de “direitos humanos”

Bispo Raul Vera e sua equipe defendem a descriminalização do aborto em entrevistas para LifeSiteNews

SALTILLO, México, 3 de agosto de 2011 (Notícias Pró-Família) — José Raul Vera López, bispo católico da cidade de Saltillo, no México, dirige duas organizações que defendem a descriminalização e o fornecimento do aborto e protestam contra emendas pró-vida nas constituições estaduais, LifeSiteNews ficou sabendo.
Bispo Raul Vera López
Contudo, numa entrevista exclusiva para LifeSiteNews, o bispo Vera López negou que as organizações sejam pró-aborto, insistindo em que a defesa da descriminalização é diferente de apoiar o próprio aborto.
Vera é presidente de uma das organizações, o Centro de Direitos Humanos Frei Bartolomé de las Casas, com sede no estado de Chiapas, onde ele era outrora bispo auxiliar. A segunda organização é o Centro de Direitos Humanos Frei Juan de Larios, que ele pessoalmente fundou e que é um órgão oficial de sua diocese.
Essas organizações assinaram várias declarações e relatórios pró-aborto de “direitos humanos”, os quais defendem a descriminalização do aborto bem como a garantia de serviços de aborto por parte do governo. Um porta-voz do Centro de Direitos Humanos Frei Bartolomé de las Casas confirmou para LifeSiteNews numa entrevista que a organização realmente apoia ambas as posições.
“Somos a favor da descriminalização do aborto porque somos contra a criminalização das mulheres que optam por isso”, Gomez disse para LifeSiteNews, declarando também que os médicos não deveriam ser punidos por realizar abortos.
“Neste sentido, dizemos que o governo deve garantir o direito à saúde, pois frequentemente o aborto é feito no México em condições prejudiciais à saúde ou em hospitais em que as mulheres não têm a garantia de um bom serviço”.
“Então, o governo deveria fornecer o serviço nesse caso?” perguntou LifeSiteNews.
“Sim, no esquema do direito à saúde, como muitos outros serviços tais como nascimentos, assistência quando ficamos doentes, do mesmo jeito essa atitude de optar pelo aborto deve ser tomada em boas condições e a vida não deve ser colocada em perigo”.
Gomez afirmou que a posição do centro não é uma posição pró-aborto, mas em vez disso é uma posição em favor do “direito à saúde”.

Assinaturas nos documentos de “direitos humanos”

Entre as várias declarações pró-aborto apoiadas pelas duas organizações lideradas pelo bispo Vera López estão dois itens semelhantes publicados neste ano que trazem seus nomes. Um dos relatórios é patrocinado pela “Rede Todos os Direitos para Todas e Todos” (“Todos los Derechos para Todas y Todos”), uma organização pró-aborto que apoiou a legalização do aborto na Cidade do México, custeado pelo governo. Essa lei foi aprovada em 2007. Ambos os grupos liderados pelo bispo López são membros da Rede Todos os Direitos para Todas e Todos.
As declarações de 2011, intituladas “México dois anos depois do Exame Periódico Universal” e “Acesso à justiça para mulheres que são vítimas de violência femicida, violência sexual, desaparecimentos e o tráfico sexual”, se queixam de que “apesar do fato de que o código penal [do estado de Guanajuato] permite o aborto para [casos] de estupro, o estado não fornece serviços de interrupção legal da gravidez” (páginas 22 e 10 respectivamente). A primeira declaração também denuncia o fato de que “a falta de coordenação entre secretarias de saúde e ministros públicos nos estados se torna um obstáculo para as mulheres vítimas de estupro receberem atenção integral, bem como a interrupção legal de uma gravidez que é o produto de estupro” (pág. 22). A segunda declaração pede que a ONU inicie um pedido de informação ao governo do México “com relação aos serviços de contracepção de emergência e o fornecimento do aborto em casos em que as mulheres que são vitimadas por estupro o pedem” (pág. 13).
Uma terceira declaração, lançada em 2008 e publicada no jornal Público, de Guadalajara, se opõe a uma emenda pró-vida proposta à constituição do estado de Jalisco. A declaração denuncia o fato de que a iniciativa “tem a intenção de garantir o título de direitos aos bebês em gestação, contra o que está estabelecido por nosso sistema constitucional, e atribui um caráter absoluto a tais direitos, ignorando a proteção que a Constituição do México concede aos direitos das mulheres”. Veja a declaração no espanhol original com tradução em inglês aqui.
Os nomes de ambas as organizações lideradas pelo bispo López aparecem abaixo da declaração como signatárias.
O Centro de Direitos Humanos Bartolomé de las Casas assinou vários relatórios pró-aborto de “direitos humanos” nos anos que precederam a presidência de Vera na organização, em 2006, 2009 e 2010. Contudo, parece que não houve retratação de nenhum deles desde a nomeação de Vera e pelo menos um está disponível no site do Centro.

Bispo Raul Vera responde

Indagado numa entrevista exclusiva com LifeSiteNews acerca das atividades de suas duas organizações de “direitos humanos”, Vera insistiu em que a posição delas em favor da eliminação de penalidades para o aborto não representa uma posição “pró-aborto”, mas em vez disso uma posição em favor da descriminalização do aborto, que ele considera como diferente. Vera chamou a criminalização do aborto de “a perseguição das pessoas que fazem abortos”.
“Não, não, a criminalização… o que se debate aqui no México é a criminalização ou descriminalização do aborto. Essa é outra coisa. A criminalização [do aborto] é a perseguição das pessoas que fazem abortos”, Vera disse para LifeSiteNews.
Embora reconhecesse que o aborto é “o assassinato de uma criança no útero de sua mãe”, Vera afirmou que há uma preocupação com relação à descriminalização do aborto porque tais leis haviam sido usadas para prender mulheres indígenas que haviam tido abortos espontâneos. Entretanto, essa preocupação não é mencionada nos documentos assinados pelos dois grupos.
LifeSiteNews logo publicará um relatório mais extenso da entrevista com o bispo Vera, que está atualmente sendo investigado pelo Vaticano pelo fato de que ele está patrocinando uma organização homossexual cuja liderança apoia a conduta homossexual.
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